PT ÇOAL Finalmente, graças ao Mauro, consegui entrar no Blog. Vamos começar a produzir. Amanhã, pretendo fazer um reparo no texto base adotado, em razão de problemas de redação que me escaparam.
Hoje, limito-me a celebrar a vitória da greve do Sinpro. Sinceramente, não esperava por ela, ainda mais que o governo alardeou a tática de neutralizar os efeitos da paralisação com a chamada dos contratados e a cobertura dos gestores.
Penso que, superada esta queda de braço, os petistas professores e funcionários deveriam lutar pela abertura de creches e de mais turmas de EJA. Isso redundaria imediatamente em aumento dos filiados aos Sinpro e SAE, o que só valorizaria a educação pública e seus educadores.
É fundamental uma aliança com as mães que clamam por creches e uma ação de "desvelamento" dos recursos do Fundeb não atualmente desviados da educação. O GDF continua não depositando, como manda o art.60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, os 20% de sua receita de ICMS, IPVA, ITR e ITBI. Só de ICMS se arrecada mais de R$ 300 milhões por mês ! E de IPVA R$ 400 milhões por ano.
O Sinpro e o SAE têm representantes no Conselho do Fundeb, ambos petistas, que estão aptos a mostrar a maracutaia do desvio destas verbas.
Oposição é isso: descobrir os erros do governo, denunciá-los e propor a superação.
Abraços, João Monlevade
terça-feira, 12 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Educação é a maior preocupação dos brasileiros, diz pesquisa
Uma prévia da pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) constatou que a maior preocupação dos brasileiros é o ensino. O levantamento já ouviu 360 mil pessoas em todo o país, e questionou o que precisa mudar no Brasil. Até o momento, 20% dos entrevistados se declararam preocupados com o ensino.
O fato de a maior parte das pessoas considerarem a educação como o maior problema do Brasil é bastante significativo, uma vez que a pesquisa não dá alternativas de resposta. O término da pesquisa - que pretende ouvir 400 mil pessoas ao todo - e da análise dos dados deve ocorrer até o fim de maio. A pesquisa faz parte da Campanha Brasil Ponto a Ponto, iniciada em novembro de 2008. Quem quiser participar pode acessar o site da campanha.
Opinião se repete
Em 2006, uma pesquisa de opinião feita pelo governo federal, parte do programa Brasil Três Tempos, teve conclusão similar. Entre 50 temas de políticas públicas, a educação ficou em primeiro lugar como prioridade.
Um outro estudo, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), feito em 2007 identificou entre os jovens a mesma preocupação com o ensino.
Qualidade
Dentre os que citaram educação como prioridade no estudo do PNUD, a maior parte se mostrou mais interessada na melhoria da qualidade do ensino, traço que vem sendo discutido com freqüência. O censo de 2000 do IBGE mostrou que apenas cerca de 6 milhões de brasileiros possuem diploma de nível superior.
Este ano, uma prova entre alunos do ensino fundamental da rede pública do Rio de Janeiro teve altos índices de reprovação.
Os dados do último Enem, divulgados na última semana, também demonstraram a má qualidade do ensino nas escolas públicas estaduais. Das mil escolas com piores notas no exame, 965 eram públicas estaduais. Já entre as mil melhores, somente 36 eram dos estados. Os números são significativos já que as escolas estaduais da rede pública concentram 85% dos alunos de ensino médio no Brasil.
Permanência nas escolas
Apenas 2,5 % das crianças entre 7 e 14 anos estão fora da escola. O dado parece animador. Contudo, um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que essa cifra engana, já que o número de alunos matriculados é bem superior ao número de alunos que realmente freqüentam as aulas.
De acordo com a FGV, o déficit escolar no Brasil é, na verdade, de 17,7%, quando levada em conta a frequência escolar, e não apenas a matrícula. O estudo ainda mostrou que os alunos brasileiros com até 17 anos permanecem, em média, menos de três horas diárias em sala de aula, enquanto a legislação exige quatro horas.
Além de os alunos ficarem menos que o devido, a exigência legal é pequena, segundo Marcelo Neri, responsável pelo estudo. Ele cita que na África do Sul a carga horária é maior: de seis horas de aula por dia.
MEC propõe mudanças
Visando melhorar o ensino no país, o Ministério da Educação fez uma proposta de trocar as disciplinas do ensino médio por áreas de conhecimento. Assim, as 12 matérias que existem hoje seriam substituídas por cinco áreas: línguas, matemática, humanas, exatas e biológicas. A proposta será analisada esta semana pelo Conselho Nacional de Educação.
Para o MEC, o currículo atual é muito fragmentado e o aluno não vê interdisciplinaridade ou aplicabilidade no que é ensinado, o que reduz o interesse do jovem pela escola e a qualidade do ensino.
O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será um incentivador desse novo sistema, pois também não terá divisão por disciplinas.
Com informações do Diário de Natal e do Site Educa, 9/5/2009
O fato de a maior parte das pessoas considerarem a educação como o maior problema do Brasil é bastante significativo, uma vez que a pesquisa não dá alternativas de resposta. O término da pesquisa - que pretende ouvir 400 mil pessoas ao todo - e da análise dos dados deve ocorrer até o fim de maio. A pesquisa faz parte da Campanha Brasil Ponto a Ponto, iniciada em novembro de 2008. Quem quiser participar pode acessar o site da campanha.
Opinião se repete
Em 2006, uma pesquisa de opinião feita pelo governo federal, parte do programa Brasil Três Tempos, teve conclusão similar. Entre 50 temas de políticas públicas, a educação ficou em primeiro lugar como prioridade.
Um outro estudo, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), feito em 2007 identificou entre os jovens a mesma preocupação com o ensino.
Qualidade
Dentre os que citaram educação como prioridade no estudo do PNUD, a maior parte se mostrou mais interessada na melhoria da qualidade do ensino, traço que vem sendo discutido com freqüência. O censo de 2000 do IBGE mostrou que apenas cerca de 6 milhões de brasileiros possuem diploma de nível superior.
Este ano, uma prova entre alunos do ensino fundamental da rede pública do Rio de Janeiro teve altos índices de reprovação.
Os dados do último Enem, divulgados na última semana, também demonstraram a má qualidade do ensino nas escolas públicas estaduais. Das mil escolas com piores notas no exame, 965 eram públicas estaduais. Já entre as mil melhores, somente 36 eram dos estados. Os números são significativos já que as escolas estaduais da rede pública concentram 85% dos alunos de ensino médio no Brasil.
Permanência nas escolas
Apenas 2,5 % das crianças entre 7 e 14 anos estão fora da escola. O dado parece animador. Contudo, um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que essa cifra engana, já que o número de alunos matriculados é bem superior ao número de alunos que realmente freqüentam as aulas.
De acordo com a FGV, o déficit escolar no Brasil é, na verdade, de 17,7%, quando levada em conta a frequência escolar, e não apenas a matrícula. O estudo ainda mostrou que os alunos brasileiros com até 17 anos permanecem, em média, menos de três horas diárias em sala de aula, enquanto a legislação exige quatro horas.
Além de os alunos ficarem menos que o devido, a exigência legal é pequena, segundo Marcelo Neri, responsável pelo estudo. Ele cita que na África do Sul a carga horária é maior: de seis horas de aula por dia.
MEC propõe mudanças
Visando melhorar o ensino no país, o Ministério da Educação fez uma proposta de trocar as disciplinas do ensino médio por áreas de conhecimento. Assim, as 12 matérias que existem hoje seriam substituídas por cinco áreas: línguas, matemática, humanas, exatas e biológicas. A proposta será analisada esta semana pelo Conselho Nacional de Educação.
Para o MEC, o currículo atual é muito fragmentado e o aluno não vê interdisciplinaridade ou aplicabilidade no que é ensinado, o que reduz o interesse do jovem pela escola e a qualidade do ensino.
O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será um incentivador desse novo sistema, pois também não terá divisão por disciplinas.
Com informações do Diário de Natal e do Site Educa, 9/5/2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O Novo ENEM e a Democratização do Ensino Superior
O Novo ENEM e a Democratização do Ensino Superior
Por Gabriel Magno e Rafael Chagas*
A democratização do acesso à universidade pública é uma bandeira histórica defendida pelos movimentos sociais. O Ministério da Educação no dia 8 de abril lançou uma proposta de criação de um novo exame nacional de avaliação do ensino médio (ENEM), e de um sistema de seleção unificada para o ensino superior. As instituições de ensino superior tem autonomia para decidirem se querem aderir ao novo sistema. Esta proposta de acabar com o vestibular que temos hoje como forma de acesso por si só não democratiza o acesso a universidade, mas certamente avança muito neste sentido. Essa medida deve vir acompanhada com o aumento de verbas para as universidades, com uma política de assistência estudantil, e principalmente com a melhoria dos ensinos fundamental e médio públicos.
A proposta do MEC de unificar o acesso às universidades públicas e particulares através do ENEM, que será reformulado, traz uma discussão importante para dentro das universidades de disputa de projeto de sociedade, no sentido que traz mudanças significativas no acesso ao ensino superior e na política de permanência estudantil.
Sempre defendemos uma nova forma de acesso e entrada nas universidades brasileiras. Isso sempre fez parte de um projeto de sociedade justa e libertária. A construção de uma Universidade Democrática e Popular também passa por democratizar e ampliar o acesso a ela. E na medida que se amplia o acesso, e a democratiza, maior se torna a necessidade de garantir a permanência do e da estudante na universidade. Políticas de assistência estudantil se tornam fundamentais para garantir a construção dessa universidade. Para isso é necessário a garantia de recursos para assistência com rubrica específica.
Do ponto de vista do acesso, a proposta amplia e democratiza a entrada dos e das estudantes no ensino supeior. A proposta do novo ENEM prevê uma mudança radical dos critérios de avaliação cobrado para entrada no ensino superior. Saímos de uma avaliação conteudista, que não valoriza a capacidade de interpretação da juventude e que não respeita os parâmetros curriculares nacionais dos ensinos fundamental e médio. A forma de vestibular que temos favorece a lógica de mercado da educação com a propagação exponencial dos cursinhos pré-vestibulares, que priorizam a decoreba de fórmulas e regras que não fazem o menor sentido para a realidade de nossa juventude. Defendemos uma forma de avaliação que valoriza a interpretação, a leitura, o raciocínio lógico e a análise do conteúdo aplicado a sua realidade e temas que cercam nosso cotidiano.
Um ponto importante de se destacar é que o desempenho dos e das estudantes nas escolas públicas no ENEM é igual ou superior aos dos/das estudantes nas escolas particulares. Isso inverte a lógica dos vestibulares tradicionais conteudísticos que por sua natureza geram desigualdades de participação, onde prevalece a lógica financeira (condições de pagar um cursinho pré-vestibular, uma escola particular que não tem compromisso com uma educação emancipadora, mas apenas focada em um treinamento para fazer uma prova).
Mas para superar de vez a lógica dos cursinhos pré-vestibular é preciso mais que mudar o conteúdo das provas. É necessário o estabelecimento de uma avaliação seriada, que os estudantes sejam avaliados nos 3 anos do ensino médio e não somente no último ano com apenas uma prova.
Outro fator importante é que esta proposta caminha no sentido da construção de um sistema nacional de educação. As universidades teriam um instrumento único de ingresso e o ensino médio no Brasil teria que unificar seus currículos e as matérias oferecidas, eliminando as barreiras regionais hoje existentes no nosso sistema educacional. Um/uma estudante que tem que mudar de cidade, região ou estado sente na pele essas discrepâncias de não termos uma política nacional de educação, ou de uma educação voltada apenas para as provas de vestibulares de cada estado e região, e não por uma educação emancipadora. Por isso será fundamental que esta discussão seja feita na Conferência Nacional de Educação em que a pauta central será a formação de um sistema nacional articulado de educação.
Essas mudanças de estrutura no acesso permitem uma maior entrada de estudantes das nossas escolas públicas e de jovens oriundos das classes populares. no ensino supeirior. Outra mudança importante na estrutura hoje da demografia das universidades é a possibilidade de maior mobilidade. Atualmente, um dado assustador é que apenas 1% dos/das estudantes universitários/as saíram de sua cidade natal para frequentar um curso superior. Isso indica que se um jovem nasce em uma cidade/região que não possua uma universidade ou faculdade, ele não tem condições de ingressar em um curso superior.
Essa maior entrada de estudantes das classes populares e numa maior mobilidade estudantil traz a tona a importante discussão da assistência estudantil. O MEC junto com a proposta de reformulação do ENEM, garante para as universidades que aderirem à proposta um acréscimo na rubrica específica para assistência estudantil de R$ 200 milhões por ano. É um avanço, porém ainda insuficiente para as atuais demandas existentes e para as novas que serão criadas com a maior mobilidade estudantil. É tarefa da UNE ir para rua e fazer a disputa para garantir o aumento da rubrica específica de assistência estudantil.
A UNE cumpre um papel importante na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade, socialmente referenciada., e cabe a ela , numa situação importante para os rumos da educação no país ,ser protagonista dessa transformação. Ir para as ruas e fazer a disputa do projeto da reforma universitária, por uma Universidade Democrática e Popular, faz parte do papel histórico que a União Nacional dos Estudantes tem que cumprir. Cabe a UNE fazer sim a defesa do projeto do novo ENEM, pois garante um avanço nas políticas de inclusão e democratização no ensino superior, mas que aponte mudanças e avanços, como na ampliação da rubrica específica para assistência estudantil, já que acesso e permanência devem estar. É fundamental também que a UNE exija sua participação no conselho de reformulação do novo ENEM. Temos que ser protagonistas dessa transformação.
Gabriel Magno é professor de educação básica. Rafael Chagas é diretor de Políticas Educacionais da UNE.
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