quinta-feira, 12 de março de 2009

Professores ocupam as ruas do DF pelo reajuste de 19,98%

11/03/09
Mais de oito mil professores e professoras da rede pública de ensino do Distrito Federal trocaram as salas de aula pelas ruas da cidade de Taguatinga-DF, na manhã de hoje (11). Mobilizados pelo Sinpro-DF, sindicato que representa a categoria, eles se uniram levando faixas, cartazes, camisetas e o grito de reivindicação pelo reajuste salarial de 19,98%. 

Às 9h30, os professores se aglomeraram em frente ao Centro Administrativo do GDF (Buritinga), onde foram realizadas falações em defesa da categoria. Enquanto isso, a Comissão de Negociação do Sinpro-DF junto com os deputados que compõe a bancada do PT na Câmara Legislativa (Paulo Tadeu, Chico Leite, Cabo Patrício e Érica Kokay) protocolaram no Buritinga um documento que reforçava a reivindicação da categoria e sinalizava o início de um movimento grevista caso o governo não cumprisse o acordo estabelecido ainda em 2007. 

Logo depois, os manifestantes seguiram em passeata até a praça do Bicalho, passando pela avenida comercial de Taguatinga Norte. Do alto do carro de som, se via uma multidão marchando, balançando os chapéus e dizendo em coro “professor na rua, Arruda é culpa é sua”. As janelas e portas das casas das redondezas também se abriram durante o ato que ganhou o apoio da sociedade. 

“Esse foi um movimento vitorioso. O número de presentes neste ato demonstra a força, a capacidade de luta e a disposição de realmente ir atrás dos 19,98% de reajuste”, avaliou a presidente da CUT-DF e diretora do Sinpro-DF, Rejane Pitanga. 

Solidariedade de classe 
Diversos setores da população se juntaram à luta dos professores nesta quarta-feira. “Essa não é uma luta apenas daqueles que trabalham com os nossos filhos nas escolas. Essa é a luta do conjunto da sociedade para melhorar a situação salarial do professor, para ter um plano de carreira digno, mas também para melhorar a qualidade do ensino no nosso país”, contextualizou o presidente da CUT, Artur Henrique. 

Participaram do ato o SAE-DF, Sindjus-DF, Sindicato dos Bancários de Brasília, Sindser, Sindicato dos Metroviários, SindSaúde, Sindágua, Sindicato dos Comerciários, Sindicato dos Jornalistas e Sindicato dos Rodoviários. Também marcaram presença o presidente do PT-DF, Chico Vigilante, e o deputado federal Geraldo Magela. 

A luta 
A garantia de que os reajustes das tabelas de vencimento seriam corrigidas em 2009 e 2010 com índices no mínimo iguais ao do Fundo Constitucional do DF foi um dos principais pontos de negociação entre o Sinpro-DF e o governo em 2007. A proposta foi aprovada pela Câmara Legislativa, sancionado pelo governo e virou o artigo 32 do plano de carreira da categoria. 

Em 2009, a proposta orçamentária enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional previu para o Fundo Constitucional do DF o montante de R$ 7.842.908.062, o que corresponde a um reajuste de 19,98% sobre o repasse do Fundo em 2008, que é de R$ 6.536.712.831. 

Mesmo sendo lei, o governo vem se negando a conceder o reajuste para os professores do DF alegando baixo orçamento. Entretanto, de acordo com dados do próprio governo do Distrito Federal, atualmente, o GDF tem mais de R$ 1,6 bilhões aplicados no sistema financeiro. O levantamento ainda confirma que a arrecadação em janeiro deste ano, mesmo com os entraves da crise financeira mundial, foi melhor do que o de janeiro do ano passado. Além disso, o governo vai começar a arrecadar IPTU, IPVA e demais impostos a partir deste mês, o que significa um incremento ainda maior no orçamento. 

“Como um governador não cumpre o acordo, não cumpre a lei? Se essa moda pega, daqui a pouco eu não preciso mais pagar a prestação da minha casa, a prestação das minhas compras, pois se nem o governo cumpre lei, por que nós, trabalhadores, temos que cumprir? Isso que está acontecendo no DF é um absurdo”, disse o presidente da CUT, Artur Henrique. 

Agenda 
Para garantir o reajuste salarial de 19,98%, os professores do DF programaram uma agenda de atividades. A próxima mobilização será realizada no dia 7 de abril, quando a categoria realizará assembléia com paralisação e indicativo de greve. O encontro será às 9h30, em frente ao Buritinga. 

Por: Vanessa Galassi, da CUT-DF

Nenhum comentário:

Postar um comentário